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Camponeses hondurenhos fazem ocupações de terras em massa

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Sábado, 21 de abril de 2012

Honduras viveu nesta quinta-feira manifestações em massa organizadas pela Resistência Popular – o movimento criado a partir do golpe de Estado de 2009 – contra o Governo de Porfirio Lobo pelo aumento no custo de vida. Na terça-feira, milhares de camponeses tomaram 12.000 hectares de terras em várias províncias do país, para denunciar o esquecimento do governo em que vivem os moradores das zonas rurais hondurenhas. “Não temos outra alternativa senão lutar contra a pobreza e a desigualdade”, disse o dirigente agrário Rafael Alegría.

A reportagem é de Carlos Salinas e está publicada no jornal espanhol El País, 19-04-2012. (A tradução é do Cepat.)

Alegría era um dos líderes da manifestação organizada em Tegucigalpa. Ao lado dele marchava o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009 e hoje defensor da Resistência Popular. Alegría justificou a ocupação de terras privadas alegando que o Estado não deu resposta à reivindicação de uma política agrária que “acabe com a miséria no campo”. “Estamos há mais de 20 anos reclamando acesso a terra. Neste país foi aprovada uma Lei de Modernização para o Desenvolvimento do Setor Agrícola que causou exclusão e pobreza no campo. Essa lei privatizou a terra”, assegurou Alegría em uma conversa telefônica de Tegucigalpa.

Cerca de 1.500 camponeses de todo o país tomaram, de surpresa, no início da semana, mais de 12.000 hectares de terras privadas, embora os líderes dos ocupantes garantam que estas terras pertencem ao Estado e que foram ocupadas “ilegalmente” por empresas privadas, em sua maioria para cultivar cana.

As disputas por terras em Honduras deixaram um saldo de mais de 50 mortos nos últimos dois anos, segundo dados oficiais. Os episódios mais violentos foram registrados na região do Baixo Aguán, na província de Colón, no nordeste do país. Em março passado, quatro camponeses foram assassinados e outros onze ficaram feridos após serem atacados por homens armados, aparentemente militares, segundo denúncias de ativistas dos direitos humanos.

“Há proprietários de terras, especialmente no Baixo Aguán e também na zona sul, que se apropriaram das terras. Houve confrontos entre camponeses e guardas de segurança dos proprietários dessas terras. Estes fazendeiros fizeram uma reforma agrária nos anos 1980 e depois compraram as terras a preços incrivelmente baixos”, disse Gilda Silvestrucci, repórter da Rádio Globo, que fez a cobertura desse tema.

Ramón Custodio, Comissionado Nacional dos Direitos Humanos, assegurou que estão investigando os recentes assassinatos de camponeses, mas disse que estas mortes se devem mais a disputas pela liderança que a uma caça organizada pelos proprietários. “Estamos investigando o último ato violento, onde houve dois camponeses mortos e duas casas incendiadas. Trata-se de um enfrentamento entre grupos de camponeses. Não devemos negar os fatos, há violência entre camponeses que disputam a liderança de forma desnecessária”, disse Custodio por telefone.

O Governo de Porfirio Lobo tentou dar uma resposta às exigências dos sem terra. A jornalista Silvestrucci disse que o Estado tentou comprar terras dos grandes fazendeiros para entregá-las aos camponeses, uma ação que é complicada dado o alto custo da terra. “Os juros que estipulam para o pagamento das terras são excessivamente altos. Em alguns lugares foi preciso pagar dois bilhões de lempiras (cerca de 83 milhões de euros) apenas para pagamento de juros”, explicou Silvestrucci.

Os camponeses, no entanto, exigem uma solução imediata. Em 2011, organizações camponesas apresentaram ao Congresso uma Iniciativa de Lei de Transformação Agrária Integral, que até agora não foi discutida. “Não há forma de resolver a pobreza deste país senão entregando as terras aos camponeses”, disse o dirigente Rafael Alegría. O dirigente disse que nesta sexta-feira [dia 20 de março] terão uma reunião com o presidente Lobo e que dessa reunião dependerão as próximas ações de um movimento que pegou de surpresa este país centro-americano.

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